Mostrando postagens com marcador Audiófilos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Audiófilos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

A burrice reinante da MPB


Se você um dia ouviu alguma "música" na rádio e pensou "que merda eu acabei de ouvir?", esse texto é pra você, e foi escrito por Régis Tadeu, critico musical, colunista, produtor e apresentador. O texto será reproduzido na integra.

Infelizmente, a constatação é óbvia: nunca vivemos em uma época em que a música popular brasileira realmente popular apresentasse um grau de burrice tão grande como nos dias atuais. A impressão generalizada é que há algum tipo de pacto de estupidez entre gente que se diz “artista” e uma imensa manada de pessoas que transformaram a palavra “platéia” em sinônimo de agrupamento
de retardados.

Imagem meramente ilustrativa.

A falta de capacidade cognitiva da grande maioria de brasileiros que consome música no Brasil gera uma total incompreensão sobre o significado poético de canções que ainda insistem em trazer letras que necessitem de uma capacidade cerebral superior a de um peixe para que possam ser apreciadas. Para esta geração, as canções de caras como Lenine, Ney Matogrosso e Gilberto Gil soam como tratados de Física Quântica musicados.


"Nunca vi rastro de cobra nem couro de lobisomem" Matogrosso, Ney.


Hoje, é cada vez maior a dificuldade de prender a atenção destes milhões de verdadeiros “bagres”. Isso explica porque o sertanejo chamado de “universitário” e o funk imbecilizante se tornaram as novas coqueluches dentro do mercado nacional. E quando escrevo “mercado”, nem me passa pela cabeça algo que se relacione com venda de discos, já que hoje também vivemos em tempos em que tudo pode ser pego “de grátis” na internet. Estes dois estilos musicais encontraram um público perfeito, desprovido de qualquer sinal de sensibilidade poética, para quem o importante é “beijar muito na balada”.

Típicos "funqueiros" pegadores.


Para quem achava que a “axé music” era o fundo do poço, trataram de cavar mais um pouco para checar a uma camada de “pré-sal da estupidez”. Hoje somos o país do “tche tche rerê tetê barabará bereberê”, do “vem novinha sentar no meu colo” e de outras merdas do gênero.

Latino exemplo clássico de "outras merdas do gênero".


A total falta de capacidade cerebral deste público foi tornada explícita recentemente com a tal polêmica a respeito do que o Zeca Camargo disse e, principalmente, no apoio que a iniciativa dos pais do falecido Cristiano Araújo – que, sabe-se lá por quê, resolveram processar o apresentador da Globo – vem recebendo por parte deste mesmo público retardado que citei anteriormente. Quase ninguém realmente entendeu o que o Zeca falou.

Não existe mais o vídeo original só achei essa merda aqui. Foda-se

Neste exato momento, você deve se perguntar “Regis, por que você está escrevendo isto?” e a minha resposta é simples: porque estou cada vez mais preocupado em ver que um imenso rebanho de gente descerebrada está cerceando o direito de pensar de maneira diferente do senso comum imbecilizado.

Senso comum... quer dizer, Imagem "meramente" ilustrativa 2


Porque já saquei que fãs deixaram de ser apenas idiotas comuns para se tornarem censores imbecis. Porque já percebi que programas de TV se tornaram um imenso painel de cretinice para buscar a audiência desta imensa turma de bucéfalos, com a cumplicidade medrosa de atores, atrizes, cantores, cantoras e músicos em geral, que se escondem atrás de discursos e elogios mentirosos para não desagradar a verdadeira horda de mentecaptos que os assistem e consomem seus produtos.

Painel de cretinice ?


Sim, este é um texto de um sujeito velho, ranheta e cada vez mais intolerante com o estado de coisas no Brasil, que ainda não se cansou de tentar elevar a voz para condenar o emburrecimento coletivo que assola o nosso País. Faço isso porque sei que uma Nação repleta de ignorantes é o prato cheio para a desgraça. Foi assim que surgiu o nazismo e o tal Estado Islâmico: repita uma mentira dez milhões de vezes para um ignorante e ela se tornará uma verdade para ele.

Pense nisto...

O texto original pode ser encontrado aqui.


EDIT:



quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O Audiófilo Surdo




Sabe o cara chato, que só ouve vinil ou áudio lossless em 96khz em seu sistema valvulado caríssimo, caixas com crossover na sua sala acusticamente tratada? Ele é só um utopista.


Decerto sou aficionado por áudio. Gosto de ouvir música em bons equipamentos, com qualidade lossless ou até mesmo em vinil, mas não tenho coragem de sacrificar minha qualidade de vida pra adquirir equipamentos para ostentar.
Sim, ostentar é a palavra mais certa para definir os audiochatos de plantão. São inconformistas quanto ao meio que outros escutam música e batem o pé que escutam freqüências que apenas morcegos ouvem.

Seu Alaor adora ouvir Nelson Gonçalves mono em seu sistemas que custou Dez Milhões de Cruzeiros Novos.
Nos anos 90, instalava a parte de fiação de Home Theaters. Era um pouco mais complicado e diferente de hoje... em partes.
Passava cabos que custavam vinte vezes mais o valor do trabalho, faziam modificações num piso duplo apenas para a passagem dos fios, que uma vez cheguei a dizer que o cabo não chegaria à caixa e o cara mandou um marceneiro diminuir a profundidade da sala pra conseguir ligar as caixas de trás com o acessório que escolheu.

Era um festival de amplificadores valvulados, caixas ativas e passivas (ui!) com seus devidos crossovers (obrigatório na época) e cabos oxigen-free pra cada falante de cada falante das caixas. Cheguei até (a muito custo) configurar um controle remoto touchscreen (com uma linda retroiluminação azul à là Timex) para comandar um receiver da Onkyo e o projetor (!!!).

Me deparava inúmeras vezes com isso.
Mas esse não é o ponto que quero chegar. Pra calibração de alguns itens me ensinaram a escutar o que poderia haver de errado com o som.
Alguns pontos da sala os graves soavam mais profundos, enquanto pareciam fracos e apagados sentado exatamente no centro da composição, então me ensinaram a equalizar. Às vezes num chato ritual freqüência a freqüência de vai-e-volta ao equalizador e às vezes aos crossovers. Os agudos jamais poderia soar metálicos e ríspidos, sempre suaves. Médios tinham, dependendo da gravação, ser macios e nunca parecerem "ocos", fazendo escutar o ar vindo do diafragma de quem está cantando (até hoje consigo ouvir). Fui educado a realmente ouvir.

Era esse trabalho teórico que começava a me fascinar, e querer morrer.

Tinham uns caras muitos chatos, principalmente os que não aceitavam que seu sistema soava idêntico com cabos caros e baratos, os que absurdamente trocavam de gravação (o CD, LD, ou LP), achando que sua cópia possuía defeitos.
É sobre esses caras que quero falar. Os boçais que gastam fortunas com equipamentos de marca, achando que serão superiores aos do vizinho. É apenas ostentação!

 O must era ter um treco desses. Mentira, era legal pra caralho e tinha um som massa.

Poucos itens são relevantes, inclusive na hora de assistir um filme (em VHS então...). Seu som não vai ficar muito melhor se trocar seu receiver transistorizado já muito caro e realmente bom por um valvulado, com poucas funções e pelo quádruplo do preço. Existem fatores que poderiam melhorar o som e que custariam pouco ou nada.

Vamos lá, pagar um Trilhão de Réis pra assistir Avatar e Avenida Brasil em trombones.
É um hobbie como qualquer outro, o cara gasta quantos caralhos de dinheiros ele quiser, se o satisfaz. Mas é um campo muito subjetivo e influenciado, como todos os outros, pelo marketing de certas marcas.
Vemos muito isso com aquela marca que já invadiu os sonhos de muito pé rapado pra ouvir McPunheta e se parecer com o Neymar ou o Dr. Dre. Que virou "sinônimo" de qualidade sonora: a Beats.

Olha como fica bonit... não, pera....
Algo que passa a sensação de ser melhor, já que 95% dos fones de ouvido intra auriculares são a mais absoluta merda, por ser grande e cobrir todo o pavilhão. Não passa de um embuste.
Marcas roubada da Monster (empresa que estava decolando com o produto e que o Dr. Dre passou a rasteira, ficando com os projetos) que se tornou "sinônimo" de ser ótimo, ter belos (e emboladíssimos) graves, agudos cristalinos (ríspidos e que ferem a audição) e médios suaves (apagados e sem vida).
Fiz uma comparação com meu singelo Porta Pro (design e fabricação quase que imutáveis desde 1984), e meu foninho (que hoje custa absurdos 200 Pixulecos Reais) passou voando acima de um Beats de 2000 Flamingos Reais...

Vai ficar biito, parecer com este baluarte da cultura.
Em suma, tem muito neguinho aí pagando de fodão com uma latrina de cada lado na orelha (e se depender do que ouvem, faz jus), só porque pagou o Bolsa-Família que não tem num objeto que não terá objetivo real, que seria escutar música.

Este tipo de atitude é amplamente mais difundido no mundo que freqüentamos, onde quem tem um Apple é gay rei. Onde tudo que possui uma maçã é melhor, apenas porque um visionário de gola rolê disse que sim.

Acharam que deixaria tio Trabalhos de fora?

Há uma cultura de consumismo que desperta uma ganância em possuir muito grande, "compro porque me disseram", e não pela necessidade.

Voltando para o assunto áudio, não gosto de ser extremista e chatão como os caras que devaneiam sobre seus conectores serem banhados à ouro ou à platina, mas creio ser um tipo de passatempo que está se diluindo ante ao consumismo banalizado e tornado uma necessidade.
Escutar música e regozijar com uma soberba execução e ouvir cada peça de alguma obra clássica com a Filarmônica de Berlim, se surpreender com os sempre novos pormenores nos arranjos do Dark Side of The Moon, ou achar que a interpretação de Porgy and Bess do Miles Davis será sempre uma referência para escutar o ar sendo soprado com uma suavidade. E que só conseguirá ter A Experiência se conseguir ouvir alguns desses detalhes. É um prazer.


Audiófilos, são apenas paranóicos.